Porque uma corrente é tão segura quanto seu elo mais fraco.
A comunicação por meios digitais envolve muitos elos que podem ser comprometidos por pessoas mal-intencionadas. Enquanto um conteúdo está no seu computador, ele pode ser acessado remotamente sem que você perceba. Daí a importância de utilizar antivírus, firewall e manter tudo atualizado. Além disso, é importante não abrir conteúdos desconhecidos mesmo que provenientes de computadores de pessoas conhecidas; muitos vírus se aproveitam da confusão que o usuário faz entre a confiança que tem no remetente e a confiança que não deveria ter no equipamento do remetente.
Grande parte das pessoas tem consciência da necessidade de proteger o computador, em grande parte graças a mídia. Mas e o transporte? De nada adianta as pontas de uma comunicação serem seguras se o caminho entre elas não é. Utiliza-se com freqüência a Internet (e-mail, MSN Messenger, Skype, etc.): todos os servidores desses meios tem senhas mas ainda assim estão sujeitos a acesso não autorizado e o tráfego entre um servidor e outro não é protegido (exceto no Skype). Além disso, qualquer pessoa pode fazer uma conta de e-mail ou Messenger com o seu nome e entrar em contato com outras pessoas simulando ser você. É por essa razão que as pessoas precisam ganhar consciência da necessidade de proteger os dados em trânsito e a própria identidade através da criptografia.
Não apenas a sua segurança está comprometida: muitos serviços de e-mail gratuito processam o conteúdo destes e montam bancos de dados para vender à indústria do marketing. Isso está previsto nos contratos, mas pouca gente se dá conta da afronta à privacidade.
É praxe envelopar as cartas antes de enviá-las como medida de segurança e privacidade. Na correspondência digital a criptografia é tão básica quanto o envelope, mas é muito mais segura. Não é por acaso que em sites de bancos e lojas on-line as comunicações são criptografadas; é relativamente fácil interceptar o que entra e sai do seu computador já que os dados passam por um grande número de computadores e roteadores antes de alcançar seu destino. Se você não mandaria o conteúdo que costuma enviar por e-mail em cartões postais sem envelope, é absolutamente incoerente não usar criptografia. Ainda mais levando em conta que envelopes são pagos e a criptografia hoje em dia é grátis.
Recentemente muitas pessoas têm recebido e-mails fraudulentos aparentando ser do governo, da Serasa, da polícia, do cartório, da Justiça, etc. Se a praxe fosse assinar com chaves criptográficas tudo o que se envia e sempre checar se as mensagens que se recebe estão assinadas com essas chaves, dificilmente haveria fraudes desse tipo.
Desde 1991 existe uma solução simples e grátis para os problemas no transporte e armazenamento de dados: um padrão de criptografia aberto chamado OpenPGP. Ele criptografa qualquer coisa e permite ao usuário definir quem poderá descriptografar. O sistema alcança um grau de criptografia muito elevado.
Criptografar com OpenPGP deixa a informação codificada de modo que poderia ser colocada em um outdoor numa grande avenida e ainda assim só o destinatário conseguiria descriptografar. A segurança dos dados em meios digitais não depende de como se mandam e sim de como eles são empacotados, portanto é possível usar serviços de e-mail gratuito pra tratar de temas sigilosos.
Usar o OpenPGP é exercer o seu direito constitucional ao sigilo nas comunicações e a privacidade.
Leia a carta escrita por Phil Zimmermann, o criador do PGP, justificando a criação do sistema.
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